Processamento de Peles em Couro

Bater sal

É uma operação introduzida mais recentemente, que surgiu para diminuir a concentração de cloretos nos efluentes de curtumes, que recebem a pele conservada com sal. Consiste em bater a pele em equipamento designado para este fim, fulão de bater, onde o sal superficial é retirado por ação mecânica. A operação de bater sal serve, também, para padronizar o remolho.

Pré-remolho

A pele é colocada em fulão com água para retirar parte das sujidades, do sal e sofrer uma leve hidratação. O pré-remolho é importante para que o pré-descarne seja realizado com a pele úmida sem sofrer danos.

Pré-descarne

O pré-descarne é realizado em máquina descarnadeira que tem por objetivo uma prévia eliminação dos materiais aderidos ao carnal, como o tecido adiposo. Algumas das vantagens de realizar o pré-descarne são a facilidade de manuseio, a penetração mais rápida e uniforme dos produtos químicos e a possibilidade de padronizar a ribeira, obtendo-se uma maior valorização dos subprodutos sebo e proteína da hipoderme.

Remolho

O remolho pode ser conceituado como processo de limpeza e reidratação das peles. Os principais objetivos do remolho são: interromper a conservação da pele e retorná-la, o máximo possível, ao estado de pele fresca; reidratar a pele uniformemente em toda a sua superfície e espessura; extrair as proteínas globulares; retirar os produtos químicos eventualmente adicionados durante a conservação; extrair materiais (como sangue, sujeiras e esterco) e preparar as peles adequadamente para as operações e processos seguintes.

Depilação/ caleiro

O processo de depilação e caleiro é feito para atender os seguintes objetivos: retirar o pêlo ou a lã da pele, remover a epiderme, intumescer e separar as fibras e fibrilas do colagênio, continuar o desengraxe que tem início no remolho e modificar as moléculas de colagênio, transformando alguns grupos reativos e algumas ligações entre as fibras. A consecução dos objetivos citados é fundamental para a obtenção de couros de qualidade, entretanto para peles em que se deseja preservar a epiderme e os pêlos ou a lã, devem-se empregar sistemas adequados de trabalho, sem depilação.

Descarne

O descarne é realizado em máquina de descarnar que tem por objetivo eliminar os materiais aderidos ao carnal (tecido subcutâneo e adiposo). Sua finalidade é facilitar a penetração dos produtos químicos aplicados em etapas posteriores. Antes do descarne, a pele geralmente sofre recortes visando aparar e remover apêndices que não foram removidos no matadouro ou frigorífico.

Divisão

Em seguida ao descarne, a pele é submetida à divisão em duas camadas: a camada superior (flor) e a inferior (raspa). Deve-se observar que há perda da espessura das camadas assim obtidas em etapas posteriores. Por esta razão, a espessura da divisão deve ser 25% maior que a desejada no material pronto. A espessura é medida em décimos de milímetros (linhas).

Desencalagem

Este processo remove as substâncias alcalinas depositadas ou quimicamente combinadas à pele. Na desencalagem, são utilizados agentes que reagem com a cal, dando origem a produtos de grande solubilidade facilmente removíveis por lavagem. Consegue-se assim reverter o inchamento da pele já desprovida de pêlo (Barros et al., 2001).

Purga

A purga age sobre as peles retirando materiais queratinosos degradados, desdobrando gorduras em ácidos graxos e glicerol e decompondo fibroplastos. Na purga, enzimas proteolíticas limpam a pele dos restos de epiderme, pêlo e gordura, originando uma flor mais fina e sedosa. Peles não submetidas a tratamento de purga apresentam tato áspero, com acentuação de certos defeitos nas operações complementares.

Píquel

O píquel tem por objetivo preparar as fibras colágenas para uma fácil penetração do curtente cromo. Para tal, o píquel deve acidificar a pele. A operação de píquel é muito importante para a etapa seguinte que é o curtimento.

Curtimento

Nesta etapa, ocorre o aumento da estabilidade de todo o sistema do colagênio, diminui a capacidade de intumescimento do mesmo, aumenta a temperatura de retração e o couro é estabilizado face às enzimas e aos microrganismos. Devido à grande variedade de couros, é fácil supor que são muitos os tipos possíveis de curtimento existentes, sendo o mais utilizado o curtimento ao cromo.

Enxugamento e rebaixamento

O enxugamento é uma etapa mecânica que elimina o excesso de água para facilitar o rebaixamento do couro.

No rebaixamento, o couro passa por uma máquina que uniformiza a espessura do couro, esta etapa é conhecida por gerar uma elevada quantidade de resíduo sólido (farelo de wet-blue) .

Acabamento

Acabamento molhado ou recurtimento

O acabamento molhado ou recurtimento compreende as seguintes etapas:

    1. Lavagem ácida (em couros curtidos com sais de cromo): para eliminação de depósitos de sais curtentes presentes na superfície;

    2. Neutralização: para ajustar o pH do couro e abrandar a sua carga catiônica;

    3. Recurtimento: nesta etapa, definem-se parte das características físico-mecânicas, tais como maciez, elasticidade, enchimento e algumas características da flor, como: toque, tamanho do poro da flor, etc;

    4. Tingimento: esta etapa é executada com o objetivo de melhorar o aspecto conferindo cor aos couros;

    5. Engraxe: esta etapa influi, acentuadamente, em algumas características, tais como a resistência à tração e a impermeabilidade, maciez, flexibilidade, toque e elasticidade do couro.

Secagem e pré-acabamento

Após o recurtimento, são realizadas etapas que envolvem a eliminação de água por ação mecânica e secagem, assim como etapas de pré-acabamento:

    1. Máquina de enxugar e estirar: os couros são submetidos à operação de estiramento e enxugamento, visando abrir e alisar o couro e eliminar o excesso de água;

    2. Secagem: existem diferentes sistemas de secagem, cada um apresentando suas particularidades e vantagens, como ganho de área, maciez, lisura de flor e etc;

    3. Condicionamento: consiste na reposição de água, visando atingir a percentagem adequada que permita a execução do trabalho mecânico de amaciamento sem afetar as fibras do couro;

    4. Secagem final estirada: realizada após o amaciamento dos couros;

    5. Lixamento: etapa realizada de acordo com o tipo de couro, no lado da flor ou do carnal, com o objetivo de efetuar uma correção, com a atenuação de defeitos ou a diminuição do tamanho dos poros;

    6. Máquina de desempoar: eliminação do pó dando condições ao couro de receber o acabamento.

Acabamento

O acabamento praticamente constitui a última etapa do processamento. São aplicadas composições de produtos sobre a flor do couro por meio de pistolas ou equipamento especial. A principal finalidade do acabamento é a de melhorar o aspecto e servir, ao mesmo tempo, como proteção para o couro.